Mais uma vez, eu, o Neiva e o Rui Novo participámos nesta mítica prova/passeio de BTT em Portalegre.
Na viagem, começámos a analisar a altimetria que o Rui tinha sacado da net, mas…. Ele tinha tirado o mapa do ano passado, que nada tinha a ver com o deste ano. A partir daqui, começámos a delinear estratégias. O Neiva, que era quem se apresentava em melhor forma, ia tentar fazer melhor resultado do que em anos anteriores. Eu e o Rui íamos tentar fazer uma corrida mais equilibrada, para que, quando chegasse o ponto crítico aos 73km, tivéssemos pernas para fazer a subida de 15km (dos 73km aos 88km). Chegámos ao nosso destino (Turismo de Habitação, Monte dos Apóstolos, Urra, Portalegre) por volta das 19h e, de seguida, fomos jantar a um restaurante de massas no centro de Portalegre que já conhecíamos por lá termos jantado em 2007.
Grande Erro.
Já nessa altura o serviço foi demorado, mas desta vez ultrapassou todos os limites. O dono, o cozinheiro e o empregado de mesa eram a mesma pessoa… 3 em 1. Enquanto esperávamos… descambámos… duas de tinto alentejano…
Antes de irmos dormir ainda fui procurar um café que vendesse Red Bull para me dar asas para o dia seguinte. O Neiva, não querendo ficar atrás, também comprou…
No dia seguinte, acordámos às 6h e às 7:05h estávamos na linha da partida atrás de 400 atletas… Há gente que madruga mais cedo do que nós. Às 9h foi dado o tiro de partida mas só 40 segundos depois é que começámos a pedalar. O Neiva partiu que nem uma flecha e desapareceu no meio da multidão. Eu e o Rui fomos mais calmos para conseguirmos chegar ao ponto mais crítico (73km) com forças nas canelas para fazer a subida de 15km.
Nas descidas, o Rui com a sua técnica apuradíssima, em cima da novíssima Cannondale, conseguia ir mais rápido do que eu... e eu, mais à frente, acabava por me colar outra vez a ele. Numa dessas descidas (+/-40km) o Rui deu-me uma distância considerável e quando o consegui avistar nas planícies alentejanas ia a comandar um grupo em grande estilo. Quando o consegui apanhar dei-lhe nas orelhas. Então, o artista, em vez de se resguardar atrás dos outros, ia a desgastar-se contra o vento, quando ainda faltava mais de metade da corrida? Disse-me que se ia a sentir bem e que não tinha reparado que ia a rebocar um grupo… Pediu-me desculpas. O respeitinho é bonito e eu gosto (hehehe).
Aos 73km lá chegou a tal subida para as antenas. Como até ali viemos com juízo, a subida ia ser feita com mais ou menos dificuldade. Aos 80km comentei com o Rui que a maratona de Viana já estava feita (a de Viana “só” tem 80km). Ele, em poupança de esforços, neste momento já só me respondia com o acenar da cabeça Ufa Ufa Ufa.
Km 82 – Nesta altura, para nosso espanto, encontrámos o nosso amigo Neiva encostado numa berma, fora da bicicleta, a balbuciar qualquer coisa imperceptível. Aproximei-me e confirmei o que suspeitava… ele estava com o motor partido e tinha encostado às boxes. Disse ao Rui para ir, enquanto ficava a dar–lhe assistência. Muita aguinha, muita massagem e com muito esforço físico lá o consegui convencer a continuar e ultrapassar a linha de meta (mt tempo depois).
Saiu à morte e chegou morto. Dizem as más linguas que a culpa foi do Red Bull.. hehehe.
Classificações
Rui Novo – 243 - 5h56m
Zé Carlos – 281 – 6h04m
Neiva – 282 – 6h04m